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Uma história das vereadoras em Ponta Grossa – Parte III


Por Gisele Barão e Luciane Justus , em 10 de março de 2016


No início dos anos 1990, Ponta Grossa passava por transformações principalmente na área do urbanismo. O legislativo municipal discutia o Plano Diretor da cidade e o direito a saneamento  básico num período de ocupações irregulares. As questões do zoneamento urbano ganhavam espaço nos impressos. Paralelamente, o setor empresarial buscava fortalecimento. Foi nesse contexto que despontaram duas lideranças femininas na Câmara Municipal: Nassima Sallum e Claudete Dallabona.

     Descendente de imigrantes libaneses, Nassima Sallum se elegeu pela primeira vez em 1993, e logo declarou apoio ao então prefeito Paulo Cunha Nascimento. A candidatura veio de uma experiência que comprovou sua popularidade: após Nassima trabalhar na campanha para eleger seu esposo, Denis Dalton Ribas, a família se surpreendeu ao ver que, nas cédulas de votação, muitas pessoas escreveram o nome dela em vez do nome do marido.

     A participação na Câmara Municipal era um desejo antigo, mas Nassima ainda não tinha apoio do companheiro para se candidatar. Esse resultado das urnas foi decisivo para que ela seguisse a carreira política, como conta a filha, Lillyann Ribas (na foto principal).

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Acervo da família

A popularidade de Nassima vinha da atuação no ramo empresarial, frente à rede de lojas Maxitango, e como comunicadora. No contato próximo com o público, ela divulgava promoções, lançamento de coleções e promovia sorteios em programas de rádio. José Eloil Almeida, funcionário da Rádio Difusora, lembra que na década de 1980, Nassima e suas irmãs Marli e Sandra participavam do infantil “Talento e Ternura”, veiculado na TV Esplanada e apresentado por Silvana Leal. Na rádio Difusora, Nassima apresentou o Programa da Nassima, de segunda a sexta, no período que atuava como vereadora, além de participações em programas como do radialista Rogerio Serman. Durante 15 anos (período que coincide com seus dois mandatos) Nassima apresentou o programa Ponto de Vista, na televisão a cabo local TVM.

     A presença marcante nos meios de comunicação é uma característica essencial da biografia da ex-vereadora, e reflete uma realidade comum no Brasil, onde visibilidade midiática é decisiva para uma parte dos eleitores.”Ela era a chefe da casa. Sempre teve um trabalho nas lojas, mas, devido à popularidade, foi para o meio político”, conta a filha. Segundo Lillyann, era comum que a mãe fosse abordada nas ruas por pessoas que pediam algum tipo de ajuda ou até autógrafos.

      Nassima marcou sua trajetória pelo apoio a clubes sociais beneficentes, entidades de filantropia e no âmbito empresarial local. Como vereadora, se dedicou à terceira idade e às pessoas com deficiência – foi madrinha da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) em Ponta Grossa, e ao desenvolvimento da indústria e do comércio.

     Ela exerceu dois mandatos como vereadora: de 1993 a 1996 e de 2001 a 2004 (neste segundo, pelo PSDB). Chegou a se candidatar uma vez a deputada estadual e uma terceira vez para uma vaga na Câmara Municipal, mas sem ter sido eleita, foi aconselhada pela família a deixar a política partidária. A empresária faleceu em 16 de setembro de 2012, após sofrer complicações durante uma cirurgia, em Curitiba.

Claudete: uma liderança das associações de moradores

Claudete Aparecida Dallabona nasceu em Lages, Santa Catarina, em 1953, e chegou a Ponta Grossa 22 anos depois. Teve três filhos do casamento com Olinto Dallabona. Formada em Pedagogia, Claudete ficou conhecida como líder comunitária, próxima das associações de moradores, que tomou como aliadas durante a campanha e o mandato. Foi presidente da Associação de Moradores do Núcleo Santa Luzia e colaborou na fundação da ala feminina das associações de moradores.

5323f8_0664acc7f14340528dfe810185f58b3f Jornal da Manhã de 1997, acervo da Casa da Memória de Ponta Grossa

     Eleita pelo PMDB com 1094 votos, Claudete era vista como uma mulher polêmica. Em entrevista aos jornais da  época, ela explicou que a fama vinha da atitude combativa pelas necessidades da comunidade. Nas eleições anteriores, o marido de Claudete já havia sido candidato, e os dois chegaram a atuar em parceria com o então prefeito Pedro Wosgrau. No período da eleição, ela declarou proximidade política com Djalma de Almeida César.

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​​ Entrevista para o Diário da Manhã (1992). Acervo Casa da Memória

     O site da Câmara Municipal de Ponta Grossa registra aproximadamente 30 projetos de sua autoria, que incluem em sua maioria a declaração de associações de moradores como entidades de utilidade pública. Também dispõem sobre a criação de conselhos municipais ligados aos idosos e acesso gratuito em todos os locais de exibição de programas e eventos culturais, esportivos ou de lazer, promovidos, co-promovidos, patrocinados ou co-patrocinados pelo Município (Lei 5361/1995). A reportagem entrou em contato com familiares de Claudete Dallabona para que comentassem a trajetória política da ex-vereadora, mas eles preferiram não ceder entrevista. Atualmente, ela mora em outra cidade.

    A quarta parte da reportagem especial “Uma história das vereadoras em Ponta Grossa” apresenta mais duas representantes na Câmara Municipal eleitas em 1996. Uma delas foi a única mulher ponta-grossense a atuar como deputada federal.

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