Sumidouro do Rio Quebra Perna. Foto: Gupe

ESPECIAL APA: Pesquisadores encontram novas cavernas em área ameaçada


Por Gisele Barão , em 27 de maio de 2017


As pesquisas científicas realizadas nos Campos Gerais também ajudam a proteger o ecossistema regional. O Grupo Universitário de Pesquisa Espeleológica (GUPE) da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), que atua há 10 anos, realizou diversos estudos na Escarpa Devoniana e comprova o valor desse patrimônio natural. O GUPE divulgou recentemente o resultado de uma pesquisa concluída em fevereiro deste ano, financiada pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza: dez novas cavernas foram identificadas na área da Escarpa, dentro do Parque Nacional dos Campos Gerais e da APA.

ESPECIAL APA: Projeto quer reduzir em 70% a maior unidade de conservação do Paraná

ESPECIAL APA: OAB e Ministério Público pedem que a Assembleia rejeite o projeto

ESPECIAL APA: Conservação do meio ambiente e desenvolvimento econômico: um diálogo possível

As cavidades estão em uma área de difícil acesso, nas cabeceiras do Arroio São Miguel, e têm características diversificadas. “Algumas são pequenos abrigos como a Toca do Golpe, Gruta de Ponta Cabeça e Toca do Beco Diagonal, outras possuem mais de 100 metros de desenvolvimento, como a Gruta da Ricota I e a Fenda Pulo do Gato. Dentre estes novos achados há um abismo (Abismo do Ferla) com acesso para o seu interior apenas com o uso de técnicas e equipamentos verticais”, explica o geógrafo Henrique Simão Pontes. A biologia destes ambientes subterrâneos é representada por aranhas, grilos, opiliões, diplópodes, zelurus, colêmbolas, rãs, sapos e pererecas e morcegos, por exemplo. A APA garante a proteção destes ambientes subterrâneos, mantendo a integridade dos elementos da geodiversidade e da biodiversidade.

GUPE OPILIÕESFauna: opiliões encontrados nas cavernas da região. Foto: Gupe/Divulgação

Para Pontes, se o PL 527/2016 for aprovado, um terço das cavernas do Paraná estarão ameaçadas. O estado tem 330 cavernas conhecidas e 120 estão dentro da APA da Escarpa Devoniana. Com a diminuição desta unidade de conservação, várias delas terão seu regime de proteção alterado. “Além do mais, a APA é considerada um hot spot da espeleologia brasileira, podendo ser, em breve, uma das regiões que mais tem cavernas no país, pois há muitas áreas com potencial onde não foram realizados nenhum tipo de estudo, levantamento ou exploração”, explica. 

A APA possui zoneamentos, previstos em seu Plano de Manejo, que orientam os tipos de usos do solo para cada setor. Ou seja, áreas mais frágeis e com rico patrimônio natural são locais com atividades mais controladas, evitando impactos negativos irreversíveis. O GUPE entende que querer diminuir a APA da Escarpa Devoniana é uma prova de que não querem um uso sustentável da terra nesta região”, diz. Diferente da APA, o Parque Nacional dos Campos Gerais é uma unidade de proteção integral, ou seja, as regras são mais rígidas e todas as propriedades particulares que integram a unidade serão desapropriadas. O parque oferece proteção integral para todas as cavernas que estão localizadas em seu interior e nenhum uso do solo pode impactar estes ambientes, diretamente ou indiretamente.GRUTA DA FORTALEZA _gupe

Gruta da Fortaleza. Imagem cedida pelo Gupe.

O pesquisador defende ainda que reduzir uma unidade de conservação, mesmo que de uso sustentável, proporciona insegurança para todas as outras unidades estaduais. “As pesquisas geram dados surpreendentes, que mostram a riqueza da geodiversidade e biodiversidade dos Campos Gerais, a complexidade deste patrimônio natural e sua importância para nós, pois as cavernas, em nossa região, possuem uma função geossistêmica relevante para a sociedade. São locais de retenção das águas superficiais, servindo de pontos de recarga do importante Aquífero Furnas (manancial de águas subterrâneas)”, explica.

ASSISTA: Vídeo produzido pelo Gupe mostra cavernas do Parque Nacional dos Campos Gerais

ESPECIAL APA: Projeto quer reduzir em 70% a maior unidade de conservação do Paraná

ESPECIAL APA: OAB e Ministério Público pedem que a Assembleia rejeite o projeto

ESPECIAL APA: Conservação do meio ambiente e desenvolvimento econômico: um diálogo possível