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Uma história das vereadoras em Ponta Grossa – Parte V


Por Gisele Barão e Luciane Justus , em 20 de março de 2016


 

Alina de Almeida César: uma família na política

 Alina de Almeida César foi a mulher que por mais tempo atuou como vereadora em Ponta Grossa, 10 anos no total. Professora aposentada, lecionou por 27 anos e sempre acompanhou a vida pública do marido, o ex-deputado estadual Djalma de Almeida César, que morreu em um acidente de carro em 2011. Djalma, que também ocupou os cargos de deputado federal, vereador em Ponta Grossa e secretário de Estado do Trabalho e Ação Social, foi quem incentivou Alina a entrar na vida pública e concorrer nas eleições municipais de 2000 pelo PMDB. A ex-vereadora ficou na suplência de Selma Schons (PT) e assumiu o cargo após dois anos, quando Selma passou a ocupar uma cadeira na Câmara Federal.

     Alina ainda foi reeleita em 2004 e 2008. Após a morte do marido, a ex-vereadora decidiu se dedicar exclusivamente à família. Dois filhos também têm atuação na política. Djalma de Almeida César Júnior é diretor da Agência de Fomento Econômico de Ponta Grossa (Afepon), e Reinaldo de Almeida César, delegado da Polícia Federal, foi secretário de Segurança Pública do Paraná.

     Entre os principais projetos apresentados pela ex-vereadora durante os mandatos, estão a Lei nº 10.858/2012, que exige a obrigatoriedade de diploma de Comunicação Social – habilitação em Jornalismo – aos profissionais contratados para o exercício de jornalista ou assessor de imprensa nos Poderes Legislativo e Executivo; a Lei nº 9008/2007, sobre a obrigatoriedade da realização do “teste do olhinho” em recém nascidos nas unidades hospitalares e maternidades de Ponta Grossa; a  Lei nº 11.203/2012, sobre a apresentação de artistas de rua nos logradouros públicos, a Lei nº 8983/2007, sobre a inclusão de pessoas negras nas propagandas do poder público municipal, e a Lei Nº 7449/2004, que autoriza o Poder Executivo a celebrar contrato de compra e venda ou locação de imóvel para ofertar espaço físico para a sede da Polícia Federal em Ponta Grossa.

  Alina continua morando em Ponta Grossa e acompanha sempre os movimentos políticos da cidade, segundo conta o filho Djalma de Almeida César Júnior.

 Ana Maria Branco de Holleben: política em família e proximidade com movimentos sociais

 Ana Maria Branco de Holleben é natural de Ponta Grossa, e a sua atuação na política teve origem no ambiente familiar. O avô paterno, Leodolindo Luiz de Holleben, foi vereador em Reserva (PR); o avô materno, Benjamim Branco, prefeito na mesma cidade por duas vezes. O pai, Admar de Holleben, teve três mandatos como vereador em Guaraniaçú (PR), onde também foi presidente da Câmara. O tio, Wilson de Holleben, exerce atualmente 11º mandato de vereador em Reserva. O primo Aderbal de Holleben Mello foi vereador em Cascavel (PR) em 2004, e o primo Péricles de Holleben Mello foi vereador e prefeito de Ponta Grossa (2001-2004), e atualmente exerce terceiro mandato como deputado estadual no Paraná.

     As mulheres da família, apesar de não ocuparem cargos eletivos, atuaram politicamente. A avó, Eliza de Holleben, se dizia brizolista e participou no “Grupos de Onze Companheiros” ou “Comandos Nacionalistas” (movimento criado em outubro de 1963 e encabeçado por Leonel Brizola para pressionar o presidente João Goulart a implantar as Reformas de Base, principalmente a reforma agrária).

     Ana Maria se casou e teve três filhos. Trabalhou como professora no colégio Estadual Presidente Kenedy (1991 a 1993); no colégio Regente Feijó e Instituto de Educação em 1994, e no Colégio Sepam, (1991 a 2001). Em 1993 e 1996  foi eleita presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná- APP Sindicato em Ponta Grossa .

      Como vereadora, Ana Maria promoveu ações nos bairros para conscientização quanto à violência doméstica, sobre o direito de aposentadoria das donas de casa, cursos de profissionalização e direitos das mulheres trabalhadoras. As mobilizações contribuíram para a formação da ONG Associação Donas de Casa dos Campos Gerais.  “Tinha mulher que morava no bairro e nunca tinha atravessado o portal da cidade para viajar.  Com 30, 40 anos, 50 anos. Então nós fomos para São Paulo, na Marcha das Mulheres; para Brasília na Marcha das Margaridas, na Marcha das Donas de Casa; para Curitiba, sempre no dia 08 de março”, lembra a ex-vereadora, em entrevista exclusiva para o Maria Pauteira.

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Acervo da ex-vereadora, de camiseta vermelha no canto direito da foto

Entre os projetos da petista estão a Lei nº 10.973/2012, que trata da Política Municipal de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista. A lei busca garantir basicamente a atenção integral à saúde da pessoa portadora do transtorno, inclusão escolar com direito ao atendimento especializado, direito à moradia, estímulo à inserção no mercado de trabalho, acesso à previdência e assistência social e a responsabilidade do poder público em divulgar informações de interesse público sobre o tema; e a Lei nº 11.046/2012, que institui políticas para a Economia Solidária.

  Quando reeleita para o terceiro mandato, em 2013, logo após tomar posse, em janeiro, Ana Maria não compareceu à sessão de eleição da mesa diretora da Câmara. Um dos seus assessores declarou à imprensa, na época, que ela teria sido sequestrada. O fato teve repercussão nacional e resultou na acusação de “autosequestro”, envolvendo a ex-vereadora e mais quatro assessores. Em junho de 2013, Ana foi expulsa do partido e em agosto, minutos antes da votação pela cassação proposta pela Comissão Parlamentar Processante (CPP), renunciou ao cargo. O suplente José Nilson Ribeiro (PT) assumiu a vaga.

    Na época, Ana Maria alegou sofrer de depressão desde a campanha, em 2012. Ana permaneceu internada por 20 dias em uma clínica de recuperação logo após seu aparecimento e prisão, num período de uma semana. “Tudo aconteceu porque eu estava à beira da loucura, minha consciência fugiu de mim. Descobri com terapia que eu deveria ter tido posturas firmes e minhas. Isso tudo parece hoje como um hiato na minha vida”, diz. Ana Maria já não mora em Ponta Grossa.

  A sexta e última parte da série “Historia das vereadoras em Ponta Grossa” fala sobre a única vereadora em atuação na cidade em 2016 e discute por que Ponta Grossa precisa de uma representavidade feminina mais diversificada.

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